A mulher Samaritana era realmente imoral? (por Dr. Eli Lizorkin-Eyzenberg)
No evangelho de João, Jesus se envolve em uma conversa muito incomum com uma mulher Samaritana anônima perto do poço. “Então ele veio a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto das terras que Jacó tinha dado a seu filho José. O poço de Jacó estava lá, e Jesus, cansado como estava da viagem, sentou-se ao lado do poço. Era cerca da hora sexta.”(João 4:5-6) Desde o inicio do primeiro século os leitores Israelitas foram alertados para o fato de que a conversa ocorre perto do lugar onde os ossos de José foram enterrados quando foram trazidos do Egito (“ eles enterraram os ossos de José, que os filhos de Israel trouxeram do Egito, em Siquem…” (Josué 24:32) sugerindo imediatamente a ligação entre a história da Mulher Samaritana com a história de José. Você pode perguntar: que tipo de ligação? Por favor, permita-me explicar.
Tradicionalmente a mulher Samaritana é apresentada como uma pessoa de má reputação; uma mulher pecadora e perdida que já (embora sempre imaginada jovem) teve cinco maridos e atualmente vive com um homem que não é seu marido. Ela vem ao poço no calor do meio-dia (a hora sexta é meio-dia) evitando os olhos das pessoas da comunidade. (A pintura acompanha este artigo é um bom exemplo dessa teoria tradicional: Ela é jovem. Ela é linda. Ela é para atrair os homens). Assim como a teoria tradicional, Jesus citou seus pecados e ela teve que admitir.
Mas a conversa perto do poço com esta mulher aparentemente impia carrega todas as marcas de profundo envolvimento teológico. A mulher sabe que de acordo com as tradições dos Israelitas Judeus, Jesus seria contaminado se ele usasse uma vasilha que pertencia à mulher Samaritana Israelita, ela, portanto, quer saber como pode ajudá-lo a beber, ou como ele pode oferecer-lhe uma bebida uma vez que ele não tem nenhuma vasilha própria (cerimonialmente um vaso limpo). Eles discutem adoração, salvação e até mesmo o Messias – o conceito de que os samaritanos não tinham, mas judeus fizeram. A tensão inicial é logo resolvida e a conversa resulta em seu testemunho sobre Jesus para toda a aldeia, na crença de muitos Israelitas Samaritanos em Jesus e Jesus ficando com eles por dois dias.
Por que os membros de sua comunidade Israelita (não-Judaica) confiaram no testemunho dela, se ela era uma pecadora conhecida? Por que eles deixam de lado tudo o que eles estavam fazendo e venha ver (dado o clima político-religioso do contraditório) ao jovem da Judéia?
E se a descrição da mulher Samaritana tem sido mal compreendida por nós, intérpretes posteriores?
“Mas espera”, você pode pensar. What about avoiding people, five prior husbands and a live-in boyfriend? Isn’t that enough evidence? Well, not really. O que acha de evitar pessoas, cinco maridos anteriores e um namorado agregado? Isso não é evidência suficiente? Bem, não realmente. Evitando as pessoas, entre outras possibilidades, (se ela realmente estava fazendo isso) pode ter sido um sintoma de infelicidade e depressão causados por dificuldades da vida como divorciada. “Jesus disse-lhe, ‘ tens razão quando dizes que não tens marido. O fato é, você teve cinco maridos, e o homem que agora tens não é teu marido. O que você disse é verdade.” (João 4:17-18). O simples fato de ter tido vários maridos não é um pecado em si mesmo.
Em antigas sociedades Israelitas as mulheres não pediam divórcios. Os cinco maridos poderiam ter morrido de doença, ter sido mortos por bandidos, morrido na guerra ou se divorciado dela por causa de infertilidade. A cada vez o resultado ainda teria sido devastador. O livro de Tobias (século II A.C.), por exemplo, fala sobre uma mulher Judia chamada Sara que teve sete maridos, todos mortos no dia do seu casamento (com a ajuda de forças demoníacas). Ela foi desprezada pela comunidade, encarada como amaldiçoada e culpada por suas mortes. Deprimida ao ponto de suicídio Sara orou a Deus para acabar com sua vergonha, insistindo em sua pureza até o fim. (Tobias 3:7-17). As pessoas eram duras para com Sara e sem dúvida a posição social da mulher Samaritana trouxe a ela grande angústia também.
Jesus afirmou que ela vivia com um homem que não era seu marido e muitos supõem que significa que a mulher coabitava com seu namorado, mas isso é não um fato. Porque ela precisava de ajuda, ela poderia estar vivendo com um parente distante ou em outro arranjo indesejável a fim de sobreviver. É provável que Jesus não estivesse pregando-a na cruz da justiça, mas em vez disso deixando-a saber que ele conhece tudo sobre a dor que ela teve de suportar. Isto está certamente mais em consonância com o Jesus que conhecemos de outras histórias.
O que é interessante é que o sofrimento de José (lembre-se que a conversa ocorre não muito longe de seu túmulo) e da mulher Samaritana não é a única coisa que tinham em comum. Tal como aconteceu com José, assim também o sofrimento da mulher Samaritana, no final produziu o mesmo resultado – a salvação do seu povo.
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