Jesus como o Sumo Sacerdote do Tabernáculo Celestial

Jesus como o Sumo Sacerdote do Tabernáculo Celestial Apocalipse. 1:10-13

10 Eu estava em espírito no Dia do Senhor quando ouvi atrás de mim uma grande voz como uma trombeta, 11 dizendo: “escreva num livro que você vê e envie-o para as sete igrejas —  Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia.” 12 eu me virei para ver quem falava comigo e quando  fiz isso, vi sete candelabros de ouro, 13 e no meio dos candelabros estava um ser como um filho do homem.

João teve sua visão no Dia do Senhor (ver comentários sobre a identidade do dia na seção anterior). João estava olhando para frente, quando de repente  ouviu uma voz falando atrás dele. João comparou voz ao som de uma trombeta. Não é fácil imaginar o que significa aqui o som de trombeta. É um “shofar” Israelita, uma trombeta feita de chifre de cabra? É um tipo de trompete  de bronze também conhecido na região do Mediterrâneo? Não é possível dizer quais sons foram realmente ouvidos por  João,  mas o fato de que ele descreveu como um som de trombeta permite-nos saber que a mensagem recebida por João estava ligada ao uso normal da trombeta – uma chamada para se preparar para ação.

Quando João voltou-se para olhar na direção da voz que falava com ele, ele primeiro viu a menorá do Templo – um candelabro de sete braços que uma vez esteve  localizado no Santo Lugar no Templo em Jerusalém. A presença da menorá no Templo mostrou aos ouvintes de João que sua experiência visionária ocorreu, pelo menos parcialmente, nas proximidades do templo/tabernáculo celestial, ou, mais precisamente na seção do templo que é conhecida como o Lugar Santíssimo. Nós lemos sobre a existência do templo celestial em Hebreus 8:1-5:

“Ora,  o ponto principal no que foi dito é este: temos um  sumo sacerdote tal, que tomou Seu assento à destra do trono da Majestade nos céus, 2  ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, que o Senhor fundou e  não o homem. 3 Porque todo o  sumo sacerdote é constituído  para oferecer tanto ofertas  como sacrifícios; então é necessário que este sumo sacerdote também tenha algo a oferecer. 4 Ora, se Ele estivesse na terra, Ele não seria um sacerdote, em absoluto, uma vez que há aqueles que oferecem as ofertas segundo a Lei; 5 os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais…”

A ideia de um templo celestial  primeiro aparece  nos livros de Moises. Moises subiu o Monte Horebe e recebeu as instruções para a construção do tabernáculo (mishkan), a tenda da presença de Deus quando Israel estava no deserto. Como Moises fez isto, a ele foi “mostrado” o templo no reino celestial (Êx 36:30) e sua missão era, de alguma forma, refletir na estrutura de terra o que ele tinha visto no reino celestial. Ezequiel 40 oferece uma visão elaborada do templo celestial que ainda estava no futuro. A ideia de um templo celestial também é mencionada no testamento dos Doze Patriarcas, uma obra apocalíptica Judaica desde o século II A.C. e é citada em várias cartas de Paulo.[1]

E então o anjo abriu-me as portas do céu, e eu vi o santo templo e sobre um trono de glória o Altíssimo. E Ele me disse: Levi, eu te dei as bênçãos do sacerdócio até que eu venha e permaneça no meio de Israel (Testamento de Levi 5:1-3). [2]

O fato de que o Filho do Homem caminha entre as sete lâmpadas celestiais (menorá), significa que ele (Jesus), como o sumo sacerdote celestial, foi a fonte desta revelação. Em várias tradições Judaicas, a figura de Metatron, que se não for idêntica é muito semelhante ao Filho do Homem, age como o sumo sacerdote do templo celestial. Este templo está localizado nas proximidades da carruagem celestial na base do trono de Deus.

Lemos em 3 Enoque 15B (também conhecido como Enoque Hebraico ou Sefer Hekhalot):

Metatron (o nome significa “aquele ao lado do trono”) é o Príncipe sobre todos os Príncipes e permanece diante dele que é exaltado acima de todos os deuses. Ele vai abaixo do trono de glória, onde ele tem um grande tabernáculo celestial de luz e traz para fora o fogo ensurdecedor e o coloca nos ouvidos das criaturas sagradas, de modo que elas não devem ouvir o som da declaração que provem  da boca do Todo-Poderoso.

O escritor de Hebreus manifestou ideias semelhantes às encontradas nos pergaminhos de Qumran, ou seja, que Melquisedeque é o sumo sacerdote celestial (11Qmelch). Lemos em Hebreus 7:1-3:

Porque este Melquisedeque que era  rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de  Abraão quando ele estava retornando do abate dos reis e o abençoou, 2 a quem também Abraão repartiu uma décima parte de todos os despojos, foi antes de tudo, pela tradução do seu nome, rei de justiça e depois também rei de Salém, que é  rei da paz. 3 Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo começo de dias nem fim de vida, mas por ser como o Filho de Deus, permanece sacerdote perpetuamente.

Torna-se claro que aqui, no livro do Apocalipse, a figura apocalíptica Judaica, que já apareceu anteriormente em varias tradições Judaicas do  Filho do Homem e de Metatron, na verdade é Jesus Cristo – o eterno sumo sacerdote celestial. Esta conexão no Apocalipse é intencional e definitiva.

[1] 1 Thess. 2:16 é uma citação de Teste. Patr., Levi, 6:10; Rom. 12:19é feita a partir de Gade, 6:10; Rom. 12:21 feita a partir de Benjamin, 6:3; 2 Cor. 12:10 é uma citação de, 5:7.

[2] Pseudepigrapha of the Old Testament, ed. Robert Henry Charles (Bellingham, WA: Logos Bible Software, 2004), Enoque 108:15.

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Dr. Eliyahu (Eli) Lizorkin, PhDTo secure your spot in our new course “The Jewish Background of New Testament” - CLICK HERE NOW

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